A chegada do Judô no Brasil - Conde Koma:
Em 1904, Koma ao lado de Sanshiro Satake, saiu do Japão. Seguiram então para os Estados Unidos,
México, Cuba, Honduras, Costa Rica, Panamá, Colômbia, Equador, Peru (onde conheceram Laku, mestre em jujitsu que dava aulas para a polícia peruana), Chile, onde mantiveram contato com outro lutador, (Okura),
Argentina (foram apresentados a Shimitsu) e Uruguai.
Ao lado da trupe que a eles se juntou nos países sulamericanos, Koma exibiu-se pela primeira vez no Brasil em Porto Alegre. Seguiram depois para o Rio de Janeiro,
São Paulo, Salvador, Recife, São Luís, Belém (em outubro de 1915) e finalmente Manaus, no dia 18 de
dezembro do mesmo ano. A passagem pelas cidades brasileiras foi marcada apenas por rápidas apresentações.
Por sua elegância e semblante sempre triste, Mitsuyo Maeda ganhou o apelido de Conde Koma durante o
período que ficou no México. A primeira apresentação do grupo japonês em Manaus, intermediado pelo
empresário Otávio Pires Júnior, em 20 de dezembro de 1915, aconteceu no teatro Politeama. Foram
apresentadas técnicas de torções, defesas de agarrões, chaves de articulação, demonstração com armas
japonesas e desafio ao público. Com o sucesso dos espetáculos, os desafios contra os membros da equipe
multiplicaram.
Entre os desafiantes, boxeadores como Adolfo Corbiniano, de Barbados, e lutadores de luta livre
romana como o árabe Nagib Asef e Severino Sales. Na época Manaus vivia o "boom" da borracha e com isso as
lutas eram recheadas de apostas milionárias, feitas pelos barões dos seringais. De 4 a 8 de janeiro de 1916, foi
realizado o primeiro Campeonato de Ju-jitsu amazonense.
O campeão geral foi Satake. Conde Koma não lutou desta vez, ficando apenas com a organização do
evento. No dia seguinte (09/01/1916), o Conde, ao lado de Okura e Shimitsu, embarcou para Liverpool, na
Inglaterra, onde permaneceram até 1917. Enquanto a dupla permaneceu no Reino Unido, Satake e Laku
seguiram lecionando ju-jitsu japonês aos amazonenses no Atlético Rio Negro. E os mestres orientais
continuaram vencendo combates a que eram desafiados. Até que em novembro de 1916, o lutador italiano
Alfredi Leconti, empresariado por Gastão Gracie, então sócio no American Circus com os Irmãos Queirollo,
chegou a Manaus para mais um desafio. Satake que estava adoentado cedeu seu lugar para Laku, sendo este
derrotado por Leconti.
Sataki, em recuperação, seria o próximo adversário do italiano, mas devido a brigas
geradas por ocasião do combate entre Laku e o desafiante, o delegado Bráulio Pinto resolve proibir outras lutas
na capital amazonense.
A volta ao Brasil:
Em 1917, de volta ao Brasil, mais especificamente em Belém, e tendo ao lado sua companheira, a inglesa
May Iris Maeda, Conde Koma ingressa no American Circus onde conhece finalmente Gatão Gracie. Em
novembro de 1919, o Conde retorna a Manaus, agora na condição de desafiante de seu amigo Satake. Foi
então que aconteceu a única derrota de Koma em toda sua carreira. Na biografia anterior diziam que ele nunca
havia sido derrotado.
Então ele volta para Belém e em 1920, já com a crise da borracha, é desfeito o American Circus. Com
isso, Mitsuo Maeda embarca novamente para a Inglaterra. Em 1922, regressa como agente de imigração,
trabalhando pela Companhia Industrial Amazonense e começa a ensinar judô aos belenenses na Vila Bolonha.
No mesmo ano, seu ex-companheiro Satake embarca para a Europa e nunca mais se tem notícias do grande
mestre. Conde Koma continuou em Belém, falecendo em julho de 1941. Carlos e Hélio Gracie, filhos de Gastão
seguiram atuando no ju-jitsu, modalidade que aprenderam com Koma no circo do pai. Isso, depois que a arte
marcial já estava definitivamente implantada em Manaus pelos membros da trupe de Koma, principalmente
Sanshiro "Barriga Preta" Satake.
No Brasil, o judô acabou desembarcando no começo do século 20 como um esporte demonstração,
onde lutadores japoneses chegaram e acabaram desafiados por lutadores de outras modalidades. Como os
judocas acabaram se dando melhor, o esporte acabou começando a cair no gosto popular. Na década de 20,
com mais imigrantes japoneses no país, o esporte passou a se espalhando com mais rapidez, principalmente
em São Paulo, onde a maioria da colônia nipônica se instalou.